Sobre o Sobrenatural

Mesmo não sendo uma mulher muito religiosa, tenho com o GALO uma relação que se não é, beira o sobrenatural. Não sei dizer que só acontece comigo ou qualquer torcedor sente isso também, mas a verdade é que eu sinto exatamente quando o GALO vai tomar um gol. Quando vai fazer é mais difícil, tem muito mais a ver com a surpresa e com a fé, mas quando sofre um gol, eu sou aquela que pode dizer alto: não falei? Sabia!

Eu achei que nunca ia ver isso

E eu que achei que não ia viver pra ver isso

É por causa desse sentimento (?) que eu tinha pelo Guilherme uma birra muito grande. Não apenas porque veio do rival azul, ou porque no futebol existem esses históricos malditos de jogadores com um perfil que nunca deram certo no time da gente. Minha birra com o Guilherme é de 2007. No mesmo ano que conquistamos o mineiro com uma goleada memorável em cima do cruzeiro (4×0 fora o baile e uma partida impecável de Bilu, el mago!), perdemos os dois clássicos no brasileirão de maneiras improváveis. O primeiro, começamos perdendo de 2×0, empatamos e tomamos o terceiro e o quarto. Na segunda partida do returno, as coisas pareciam se repetir, perdendo por 2×0, buscamos o empate, mas viramos! E entra a promessa do cruzeiro na época, Guilherme, 18 anos, e numa jogada individual chuta bem de fora da área e empata novamente. Eu me recuso a acreditar que perderemos novamente, mas o mesmo Guilherme faz o quarto gol e garante a vitória pro time azul. Acho que o mal-estar, a pressão alterada, a visão meio turva, tudo ficou na conta do Guilherme e quando o Kalil anunciou sua contratação, eu amaldiçoei mil vezes, como se fosse um ato de loucura do presidente alvinegro.

Guilherme foi uma das contratações mais caras do GALO e até este ano pouco tinha mostrado. Com o meu ”dom” sobrenatural pro pessimismo, eu repetia: não falei? Não tinha como dar certo. Mas só eu sabia o que me fazia acreditar que Guilherme não daria certo. Era aquele chute de fora da área, o do empate, que mudou o jogo, que me tirou a vitória em 2007 que ainda me fazia até torcer pra que ele não se acertasse no GALO.

Quando, numa semifinal de Libertadores, Cuca coloca o mesmo Guilherme em campo, faltando poucos minutos pro fim do jogo e um gol pra nos colocar de volta no campeonato, eu xinguei até a décima geração do técnico Atleticano. Mas foram poucos minutos até a bola, essa ferramenta da ironia, me fazer perceber que eu deveria passar o resto da vida me desculpando com o Guilherme. Pois foi assim, de fora da área, numa sobra de bola, que o mesmo Guilherme chutou firme, forte, certeiro, no gol do Newell’s Old Boys. O GALO estava vivo. A maldição de Guilherme, ao contrário, acabava de morrer.

A maldição bate na chuteira do Guilherme e volta em forma de classificação pra final!

A maldição bate na chuteira do Guilherme e volta em forma de classificação pra final!

Ele ainda cobraria dois impecáveis pênaltis decisivos. O último, já na final, quase rasteiro, milimétrico, com a bola tocando a grama somente o necessário, como um beijo, antes de entrar no gol. E desde então, eu passei a acreditar que toda maldição pode ser quebrada, assim como até o vento pode perder se a gente torcer contra.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s