Sou torcedora, não sou Musa!

Há tempos os Movimentos de Mulheres denunciam as deformações decorrentes das imagens que a Mídia faz de nós mulheres em seus espaços. Seja nas novelas ou mais perceptivelmente nos comerciais de cerveja de forma indireta pelos estereótipos mais crueis, é ela – a Mídia – a grande responsável por perpetuar esse tipo de preconceito. Muitos vão dizer que é só um reflexo da sociedade, mas quando as próprias mulheres se dizem mais insatisfeitas com seus corpos e revelam que sua imagem atual na mídia, “além de desagradar, contribui para uma desvalorização e subjulgamento geral da figura feminina”. Não são quaisquer feministas, são 80% das mulheres, segundo a pesquisa recente da Fundação Perseu Abramo/Sesc*.

Nem no Musa do Brasileirão! via O Machismo Nosso De Cada Dia

Nem acredite no Musa do Brasileirão! via O Machismo Nosso De Cada Dia

Claro que a complexidade de um tema como este é impossível de se destrinchar em um texto. Mais impossível ainda se relacionarmos a isso o uso que foi feito disto – a objetificação da mulher – ao futebol, espaço majoritariamente dominado pelos homens. Ora, mas se temos uma melhor do mundo 5 vezes e o futebol já deixou de ser considerado perigoso para as mulheres (mulheres eram impedidas de jogar futebol para manter suas funções reprodutivas), o que mais queremos? Não preciso ser mais pedagógica e explicar que não se rompe com o machismo da noite para o dia. Times femininos ainda sofrem muito para se manter ativos e o futebol feminino tem poucos aliados. Por que se mulheres podem jogar tão bem quanto homens? Por que ainda somos tratadas como Musas se queremos ir aos estádios e aos butecos e torcer sem sermos incomodadas com perguntas indiscretas ou “fiu-fius”? A resposta é porque o machismo ainda está arraigado na nossa sociedade e consequentemente no nosso futebol.

Dos padrões

Quando entrei em no site/blog do concurso Musa do Brasileirão, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a chamada “Clique e veja a musa do seu time em 360º graus”. O recurso, aparentemente inútil, serve vergonhosamente para percebermos o quanto mulheres têm seus corpos analisados, objetificados, vendidos como parte além de si. São 20 candidatas dos times da principal série do campeonato brasileiro. O site pertence ao portal esportivo Globo Esporte, e a Rede Globo é detentora do Concurso e dos Direitos de Imagem das Candidatas (não achei o manual de inscrição que li há alguns meses quando pensei em escrever este texto pelo primeira vez, perdoem-me). As candidatas são escolhidas por votação na internet. Basicamente mandam suas fotos, pedem votos em fóruns e redes sociais e viram representantes da “beleza” de cada time brasileiro (seja lá o que isso for). Da primeira vez, contei 13 loiras (inclusive a representante do Bahia, da Bahia, segundo estado mais negro do Brasil). Da segunda vez, de acordo com a imagem abaixo, contei 11. O que já preocupante, visto que também não temos tantas Xuxas desfilando por aí. A única que pode fenotipicamente ser considerada negra é a candidata da Portuguesa. Uma negra de cabelos tingidos claros e traços finos. Nossa tradicional passista “tipo-exportação”. A imagem abaixo foi feita apenas a fim de visualizar o padrão imposto magro e branco tipo-traços-finos e preservar a identidade das candidatas. Também porque a Globo é detentora dos Direitos do Concurso e eu não quero problemas! Não me processa, porque eu sou trabalhadora!

Acho que dá pra ver razoavelmente as candidatas.

Acho que dá pra ver razoavelmente as candidatas.

Enfim, não preciso dizer que isso não diz respeito à maioria das mulheres comuns deste país, né? Não a beleza, acho que toda mulher tem a sua, mas os padrões impostos por uma minoria são verdadeiramente crueis. Vejamos a última vencedora do concurso de 2012, representante gremista: loira dos olhos claros. Desculpe, mas não me parece com a realidade mestiça do meu país. Fica bem claro a distorção imposta pelos padrões e por este tipo de concurso.

Mulher e Futebol

Em se tratando especificamente do Concurso de Musas, estamos falando da relação da Mulher na mídia. Já é preocupante a objetificação, como se fossem um acessório que compusesse o Tripé Cerveja, Mulher e Futebol, mas para além disso, precisamos ressaltar o fato de que concursos como esse não possuem critérios que nos permitam avaliar a verdadeira torcedora. Aliás, o que nos faz uma torcedora? Com certeza não é uma pose desconfortável em um biquíni nas cores do escudo de um dos times da primeira divisão.

"Marca" do concurso

“Marca” do concurso

A Musa reforça estereótipos que as mulheres já disseram estar cansadas. Por isso, como torcedoras, precisamos dar um basta nesse tipo de absurdo usado para vender revistas masculinas. Não é mais um reflexo da sociedade, as mulheres querem que isso mude. Nos sentimos inferiores ou ofendidas quando somos limitadas a Musas dentro do futebol e isso tem que mudar.

Eu e o futebol

Eu insisto em falar de futebol porque é algo que me inspira profundamente. E foi das experiências mais emancipatórias que já tive. Praticando e depois como torcedora, quando pude por em prática como militante do feminismo e da esquerda e concomitantemente como torcedora do GALO. Deixar pra traz as ofensas machistas e homofóbicas foi uma vitória pessoal. Compreender o futebol para além das 4 linhas também. Enxergar no gramado e principalmente na torcida um misto de festa e movimento social é uma das alegrias da minha vida. É realmente meu grande amor.

Atualmente, me dedico a escrever crônicas e outros textos e o GALO está sempre em minhas inspirações recorrentes. Há muito tempo quero escrever esse texto e sei que há muito mais para se falar, por isso espero a contribuição de vocês nos comentários e no debate do tema. Acabar com o machismo no futebol e fazer deste (do futebol) um espaço mais feminista, onde todos e todas nós possamos transitar livremente é com certeza um dos objetivos da minha vida <3.

Campanha "Chega de Fiu Fiu", contra o assédio sexual em espaços públicos do site Olga: http://goo.gl/lXXbX6

Campanha “Chega de Fiu Fiu”, contra o assédio sexual em espaços públicos do site Olga: http://goo.gl/lXXbX6

Vocês e o futebol

Já ouvi algumas críticas quanto a gostar do esporte. Alguns o chamaram de “ópio do povo”, outros achavam uma babaquice tremenda ver 22 homens correndo atrás de uma bola. Eu respeito a opinião de todo mundo e espero que a minha também seja respeitada. O tema foi levantado novamente em uma conversa com outro Atleticano querido (obrigada, Judson!), então decidi que não era tarde demais. É bom ver que homens também se interessam por essas mudanças e até pedem por ela. Mas vocês precisam complementá-las. Eu devo ter deixado de falar um monte de coisas aqui. Comentem, levem o tema para seus espaços. Todo mundo tem um time do coração. Que o time do nosso coração tenha suas cores, mas que nossas torcidas tenham todas. Sem padrões, imposições. Ninguém deve dizer às mulheres como torcer. Nós mesmas podemos fazer isso. É um trabalho de empoderamento e não precisamos de batom ou salto pra isso.

*Pesquisa Fundação Perseu Abramo/Sesc apus Rachel Moreno in A Imagem da Mulher na Mídia – Controle Social Comparado p.54

 

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29 thoughts on “Sou torcedora, não sou Musa!

  1. Luara, a chegada da mulher no futebol já era esperada por todos que tem a cabeça um pouco mais aberta e bastante noção de respeito. Deixo bem claro que eu (particularmente) não me considero machista, mas acho uma mulher bem diferente de um homem. Tanto no físico, como no psicológico e principalmente nos sentimentos.
    Deus não criaria coisas erradas. Você pode perceber que homem e mulher se complementam e apesar da influencia negativa da mídia, se respeitam muito. Eu muitas vezes brinco com minhas amigas chamando de Musas do Corinthians ou do Palmeiras, mas é uma brincadeira para mostrar para elas o que a mídia tenta fazer com a mulher. A mídia se propõe a prostituir a mulher em função de ela não precisar pensar e sim ter um corpo chamativo e vendável. Fico triste por ver a quantidade grande de mulheres que se sujeitam a isso (vide quantidade de inscrições nos concursos de musas). Participam e até tiram proveito dessa situação.
    Eu moro numa região que eu acho ser a pioneira em colocar a mulher no futebol. Veja por exemplo o time das meninas do São José dos Campos (base da seleção brasileira). É prestigiado e respeitado e eu nunca ví ninguém fazer gracinhas com elas. Os primeiros jogos da Seleção Brasileira Feminina foram realizados aqui em Taubaté. Foi uma espécie de Copa em que a Seleção dos Estados Unidos foi campeã. Todas as seleções ficaram hospedadas em nossos hotéis e as meninas passeavam pela cidade. Na pior das hipóteses, nós nos dirigíamos a elas para pedir autógrafos. Nunca houve desrespeto.
    Achei muito bacane essa sua postagem porque do modo que a gente ve na mídia a impressão que se tem é que a mulher, para aparecer, se intromete nos times de futebol como musas e depois partem para os Big Brothers e Fazendas da vida. Isso eu vejo como uma deturpação da colocação da mulher e do homem na sociedade. Eu não gostaria de ver meus pais metidos nisso e muito menos meus filhos.
    Luara, existe muita coisa para ser falada, todavia se a gente reagir pode modificar o quadro do machismo e também da oferta fácil de musas.
    Eu tentei mostrar algo de bom que funciona por aqui e se respeita muito. Temos muitas meninas treinando em Escolas de Futebol, gente assistindo os treinos, pais e mães também, e não admitimos desrespeito por aqui. Que fizer “Fiu-Fiu” vai ter que engolir o apito.
    Valeu!
    Manoel

    • Sim Manoel, claro que ainda temos o outro lado, mas ainda está bem aquém do que podemos. É só olharmos o futebol masculino e feminino no país. Só recentemente (este ano) ganhamos novamente uma liga feminina, enquanto o Campeonato Brasileiro segue como um dos mais observados do mundo seja pelo olheiros internacionais ou pelos conglomerados de TV. Acho o estereótipo de musa muito ruim em todos os sentidos. Acho que limita o espaço da mulher no futebol ao padrão do que é atualmente considerado socialmente belo. Portanto, por mais que existam mulheres que pratiquem o esporte, temos por outro lado e em grande proporção quem acha quem o lugar da mulher é decorativo. Obrigada pela sua contribuição.

    • Manoel,você colocou uma coisa que é bem difícil de se dizer e de ser aceita no meio feminino: a mulher que aceita ser objetificada. É muito difícil feminista admitir que essa mulheres são machistas e que são tão nocivas quanto os homens de mesmo nível.Já vi brigas horríveis,já participei de brigas horríveis…mas a questão que elas se fazem de “desentendidas” é : se tem mulher se vulgarizando com um sorriso no rosto,como vamos exigir que os homens nos vejam e nos tratem como seres-humanos? difícil…

      • Yume, acho que como já disse, não se trata de “aceitar” ou se fazer de “desentendida” sobre “vulgarização”. Aligar, o termo “vulgar” é usado na maioria das vezes para cercear o comportamento das mulheres, já percebeu? Antes de exigir algo dos homens, eu busco que as próprias mulheres se percebam como sujeitos de direitos e percebam que essa é uma construção social, onde muitas de nós internalizou o machismo de séculos, por isso é óbvio que há mulheres que aceitam ser objetificadas pois só se percebem assim.

  2. Independente de gostar ou não de futebol, o que fazem com as mulheres nesse esporte é um acinte à dignidade de todas nós (na verdade é em todos os esportes). Quanto as torcedoras, se fosse só as “musas” dos times, já seria indigno, mas até as mulheres que apenas vão para os estádios TORCER pelo seu time, são clicadas e analisadas pelos homens.
    E obrigada pelo texto. : )

    • Acho que estamos todos em uma sociedade que já há muito tempo aprendeu a ser assim, machista. Papeis de gênero foram construídos socialmente, então eu sempre me preocupo muito em não julgar mulheres que se candidatam a musas ou homens que acham que estas reivindicações são besteiras ou “recalque”. Por isso, o trabalho é mais difícil ainda. Revelar que somos tratadas assim, oprimidas enquanto homens e mulheres (porque acredito que isso faz mal a todos nós) vai muito além do papel de musa, mas de como estamos sendo representados. Desconstruir os papeis sociais e empoderar as mulheres são passos importantes nessa conquista, creio eu. Acho que são os primeiros passos.
      E eu que agradeço pelo seu comentário! =)

      • Essa atitude não tem nos levada a nada..se essa mulheres não podem ser julgadas,então,por que os homens são? Homens da mídia são chamados de machistas por explorarem essas mulheres que gostam de ser exploradas,fora que essas são as primeiras atacar pedra no feminismo.Essa mania de vocês de achar que toda mulher é uma “pobre vítima do patriarcado que não deve se responsabilizar por suas atitudes” está destruindo o que foi conquistado.Acha realmente que chegar para os homens e falar “não olhem ” é a solução? Não estamos progredindo,não me surpreende.

      • Ninguém está jogando pedra em ninguém, Yume, acalme-se. além disso, não há vitimização, aqui. O que está te incomodando? As verdades sendo ditas ou a chuva de papel picada por você defender o machismo que não veio? Só o que eu disse é que dizer que mulheres são machistas é tão absurdo – uma vez que vivemos numa sociedade que é machista – não resolve as coisas. Quando critico a postura do homem branco que não faz nada para rever seus privilégios é disso que tô falando, do comodismo, não da vitimização ou das pedras jogadas. Achar que rever privilégio é vitimização é uma postura muito superficial, aliás.

  3. Luara, estive matutando aqui com meus botões e conclui que essa falta de prestígio no esporte não tem a ver com homens ou mulheres. Tem a ver com patrocínio, com o famoso R$.
    Em vez do futebol analise o voleibol, o handbol e até o basquete, tanto masculino como femininos são muito ridicularizados nos torneios que participam e para ficarem por cima tem que ser campeões mesmo.
    Nesses esportes todos que citei (exceto basquete) as equipes femininas tem sido destaque e quando acabam os torneios elas vão jogar no Cazaquistão, por exemplo. Para outras bobagens existe um patrocínio…
    Enfim

    Manoel

      • Luara, verdade! Você tem razão. Acabei por fugir do assunto. Acontece que as flores que enfeitam esse mundo são as mulheres. As criaturas mais fortes são as mulheres. Nossas mães, namoradas e esposas são mulheres. Portanto quem sou eu para perder meu tempo sendo machista e deixar de conviver bem com essas criaturas tão necessárias na nossa vida.
        Antigamente (muuuuito antigamente) tinha um programa de tv que se chamava: O Mundo é das Mulheres (não me pergunte com quem era o programa que eu não saberei dizer) e eu concordo. Elas conseguem tudo com o jogo de cintura e muito charme. Mesmo as mais bravas!
        Manoel

      • Manoel, acontece que não somos como flores. Não somos decorativas e nossa função não se limita a isso. Não queremos que o mundo seja nosso, mas queremos o que por direito é nosso. O mundo é socialmente masculino há muito tempo, então nossa luta não é por superioridade, mas por igualdade.

  4. Luara, as flores são bonitas, contudo não são decorativas. Nós as colocamos decorativas, porém elas tem muitos outros deveres na natureza.
    Eu particularmente, na minha profissão e convivência considero a mulher com igualdade e até discordo de que o mundo é socialmente masculino. A mídia é que torna o mundo VIP assim. Acho que estamos progredindo muito nesse espaço que a mulher era impedida de participar.
    Beijos,
    Acho linda essa sua luta
    Manoel

    • Infelizmente nossas outras funções são esquecidas perpetuando um status de dominação majoritariamente masculino. Não queremos que um ou outro Manoel nos trate com igualde, mas todos e todas sejamos tratados assim. Por isso, reconhecer os privilégios a desigualdades é tão fundamental.
      Obrigada.

  5. Pertinente ponto de vista, Luara R. Mas parafraseando o Gontijo, tudo isso se resume e faz parte do encarte do contestado “futebol comercial” dos dias atuais. apenas isso

  6. Laura, concordo com você. Não só no futebol, mas em qualquer lugar a mulher tem dificuldade de ser ela mesma, e isso quando se puxa para um local onde esteja dominado por homens, é pior ainda.

    Um dia fui assisti a um jogo do Galo num bar aqui no Rio, foi tranquilo, tomei minha cerveja, gritei gol, abracei um desconhecido do lado, e fui pra casa. Se fosse uma mulher com certeza, teriam chegado em sua mesa, estariam te secando sempre e se vc abraçasse esse cara aconteceria duas coisas: ou a mulher dele iria achar que vc estaria dando mole ou o cara ia ter certeza disso… Em ambas as situações a probabilidade de ele pedir o seu telefone era altíssima uhauhauhauha

    Eu acho que a liberdade Feminina de SER ainda é tolhida pela mente masculina, pois em alguns ambientes somos maioria. E isso não está reservada às mulheres ditas gostosas dignas a corpo de musa do brasileirão, e sim a todas. Dou valor a esses textos, e quanto mais forem falados e discutidos melhor.

    E É GALO DOIDO, PORRA! RUMO AO TÍTULO MUNDIAL!

    • Obrigada pelo comentário, Erick e sim, é muito difícil frequentar esses locais pra ver os jogos. Sejam estádios ou butecos, sempre tem alguém perguntando se estou esperando alguém ou se o meu acompanhante é meu namorado, essas coisas constrangedoras e que só me atrapalham a ver o jogo.
      Acho que é importante discutir esses estereótipos ainda mais porque eles nos limitam e incomodam tanto.
      São tão bobos e arcaicos e ainda assim permanecem intocáveis na Grande Mídia.
      De toda forma, só levantei a bola, o resto é com vocês, que hão de fazer o debate nos lugares e butecos mais diversos desses Brasil.

      Mais uma vez obrigada e Viva o GALO Doido!

  7. Luara,
    Adorei seu texto! Você me representa! O machismo é mesmo um incômodo que tem demorado a desaparecer da nossa sociedade, e no futebol é multiplicado à décima potência… mas acho cada vez mais e mais mulheres pensam como nós, a mudança já está em andamento!
    Abraço e Viva o Galão da Massa!

    • Obrigada, Cleide!
      Precisamos cada vez mais discutir o machismo em nossos espaços.
      Como torcedoras, em um espaço tão marcado pelo sexismo, precisamos disputar esse debate, porque sabemos o quanto ele é urgente.
      Vamo que vamo e viva o GALO Doido da nossa vida! Que venha o Mundial!

  8. Luara

    Em pesquisa recente no google sobre “mulher e futebol” , o resultado foi, majoritariamente, referenciando o papel das mulheres DOS JOGADORES de futebol do Brasil (meu tema de TCC é sobre a influência do futebol na construção das identidades generificadas em alunxs do Ensino Fundamental).
    Poxa! Fiquei triste com essa estereotipação das “Marias Chuteiras” e a visibilidade do concurso de musas. E o pior é que as mulheres que se sujeitam a isso são, também, machistas!

    Resolvi coletar dados sobre a participação das mulheres no cenário futebolístico nos últimos dez anos e, para desgosto de muitxs, até a gestão de uma mulher à frente de um grande clube ocorreu (Patrícia Amorim e Flamengo).

    Apesar de tímida, alguma mudança já está acontecendo.

    Mas como vc colocou em algum comentário, essas estereotipações são construções sociais e podem ser modificadas.

    Basta que nos predispusemos a isso. Fácil e rápido não é, mas modificar nosso discurso e mostrar para as pessoas que a participação feminina pode acontecer dentro das quatro linhas e nos diferentes espaços de discussão do tema, é um dos caminhos.

    Eu vou aos estádios. E vou sozinha. E quando me cantam, eu me posiciono como torcedora, pq quero mostrar que a minha identidade é formada pela Pollyanna mulher, mãe, fanática atleticana, professora, estudante e otras cositas más.

    Sua ação de escrever sobre o tema é importante na luta contra a homogeneização provocada pela mídia. Compartilhei nas minhas páginas de redes sociais.

    Excelente texto! Parabéns!

    • Poxa, muito obrigada Pollyanna! Seus dados e sua pesquisa são muito importantes pra avaliarmos isso de uma forma mais profunda. Você já terminou o TCC? Seria possível disponibilizar pra leitura? Esse tema é muito pertinente, visto que precisamos nos posicionar nos mais diversos locais. Obrigada pela participação e pela colocação super relevante! =D

      • Ainda estou na fase do projeto, Luara. Defendo a primeira etapa no início de dezembro. A pesquisa será realizada no primeiro semestre de 2014.

        Se quiser envio o referencial teórico do projeto para a leitura (porque também há poucos estudos sobre o tema na área), e assim que eu concluir a pesquisa, compartilho.

        E vamos continuar a fazendo a nossa parte. Uma hora esse paradigma cairá e conseguiremos ser vistas como iguais…como mulheres que também entendem de futebol!

      • Ai, quero sim! Posso compartilhar como Update aqui do texto? Manda o que achar necessário. Vamos fazer rodar mais material sobre o tema, gerar grupos de estudos, acho que é importante.
        Sucesso na defesa do seu trabalho e brigada mais uma vez!

  9. Luara,
    Acho que você esqueceu de citar queg as mulheres que se CANDIDATAM a posto de “musas” não são obrigadas nem estão o fazendo por obrigação de algo, então pressupomos que estão fazendo por querem e gostam! Então o problema não esta no machismo que diz que existe no futebol, porque se essas mulheres se expõe o fazem porque só e somente querem…será que a senhorita parou para pensar nisso? Saudações.

    • Claro que pensei Felipe, mas será que você pensou em depois de séculos sendo chamadas apenas de “lindas” e sendo estimuladas apenas a ficarem bonitas pois estes seriam seus únicos valores, a mulheres não internalizaram isso?
      Não acho que seja apenas questão de fazer por querer e gostar, acho que é uma construção social mesmo.

      • É,mas deve ser problematizada ao invés de defendida por feministas.Está faltando aqui campanhas como existe no exterior.Pelo menos fico feliz de não ser a única aqui a observar isso..

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