Como Game of Thrones explica o Mundo

Acho que não falei aqui no Blog ou na página o quanto sou fã da série Game Of Thrones. Além da produção impecável, do figurino e dos roteiros que prendem bem a gente, os personagens são bem complexos e para fãs de aventura, fantasia e ficção, eu acho que é a melhor série já feita. É minha favorita no momento e eu já aviso que este texto pode conter spoilers (desculpa!).

Não li os livros, confesso. Comecei, mas precisei fazer o TCC e escolher entre George Martin ou a formatura, então…bem, pretendo ler, juro! Mas no momento ainda não dá, de toda forma, sigo acompanhando a série de forma ávida e já espero a 4ª Temporada de todo o coração.

Mas bem, ao contrário do obra de Tolkien, não existem mocinhos em Game of Thrones. O bem e o mal coexistem em cada um dos personagens e é isso que os torna mais complexo e humanos. Para uma obra de fantasia, acho maravilhoso. Não entro no mérito de dizer qual é o melhor. Adoro o Tolkien, li o primeiro livro do Senhor dos Aneis, vi os três filmes e era tão fissurada que queria aprender Quenya. Pra falar com quem, eu não sei hahahaha

De toda forma, o que eu mais gosto em Game of Thrones é a política. Sabe aquela coisa que Bretch disse que o analfabeto político diz se orgulhar por não gostar? Game of Thrones é cheio dela. Só não percebe quem não quer. As tramas de Porto Real, a briga pelo Trono de Ferro, tudo envolve política. Quero falar especificamente de uma coisa que me inspirou esse texto. Um post do Portal da série no Brasil: Game of Thrones BR. O texto questiona qual a família mais rica de Westeros. Você pode ler aqui.

Talvez eu não entre tanto no que diz a série, mas o que diz a própria realidade que concebi. Não conheci meu avô paterno, mas minha mãe dizia que ele detestava mineração. Dizia que riqueza a gente ganha é “em cima da terra”. Tinha plantações e apesar do pouco estudo, sei, pelas histórias, que era um homem muito sábio.

Por que estou falando do meu avô para voltar a Game of Thrones? Assim como nas nossas plantações, é impossível comer dinheiro. Por isso, assim como na nossa vida, onde os grandes conglomerados de alimentos estipulam os preços dos alimentos que vamos consumir (um texto bárbaro sobre isso, do João Pedro Stédile e que vale a leitura para a compreensão do que quero dizer, você pode ler aqui) é quem planta que tem a maior riqueza, afinal todos nós precisamos comer para sobreviver. Por isso de nada adianta os Lannisters possuírem minas de ouro se em períodos de cerco à Porto Real são os Tyrell que podem alimentar os soldados e a população e também decidir os preços sobre os gêneros de primeira necessidade.

Dinheiro nao se pode comer

Comer é mais importante do que ter. É essencial e deve ser garantido pelo governo. Isso fica bem explícito na 3ª Temporada. Outra alegoria que pode ser percebida nesse sentido está no Ensaio sobre a Cegueira do Saramago que li recentemente. É bem chocante, mas vale a pena demais, para perceber o quanto são mesquinhas e anti-naturais as leis que nos forçam a fazer, como disse o Stédile, do mundo, “um grande supermercado”.

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