Mundial não mata, mas ensina a viver

Demorei um pouco a escrever este texto que deveria ter saído na quarta-feira, no entanto o choque, típico da negação pós-tragédia me fez adiá-lo para o dia que fosse possível, de forma que escrevo hoje, já com a ferida fechada e o coração de torcedora (um pouco) mais brando.

Primeiroː devo ter visto um jogo diferente da maioria das pessoas, porque eu não acho que foi um vexame. Quis esperar uns dias até pra ver se era clubismo, mas não, não achei vergonhoso. Acho que o time do GALO entrou sim sem a menor vontade, mas tivemos mais volume de jogo, mais posse de bola. O Raja Casablanca, que com a cabeça no que é o futebol, merece os méritos de uma partida onde jogou como devia jogar. No contra-ataque, nos erros de passe, na antecipação das jogadas. Não chegar à final de um torneio não é vergonhoso porque estamos falando de futebol e futebol não é obrigação. Vontade de jogar é.

Talvez por isso tenhamos ficado tão decepcionados. Pela falta de vontade do time. Mas como disse o Leonardo Bertozzi da ESPN, “não podia melhorar, mas podia piorar”. E mesmo depois do gol com menos de 1 minuto de jogo, o GALO tomou a virada, teve que buscar novamente  empate e o terceiro lugar no último minuto de jogo, com gol de Luan.

Via Um Sábado Qualquer

Via Um Sábado Qualquer

De todo o cenário arrasador pintado, mesmo com um terceiro lugar no Mundial de Clubes da FIFA, eu ainda acho o ano de 2013 espetacular pelo que representou pro meu Clube. Eu fui forjada no sofrimento, nas viradas heróicas. Nunca imaginei que viveria pra ver meu time no topo do mundo como vi esse ano. Ser eliminado antes da tão falada final com o Bayern de Munique serviu para repensar o perfil Atleticano. Nunca fomos os arrogantes que entraram subestimando o Raja. Não temos esse perfil de torcedor. Mas tivemos. Ao deixar a  competição nacional para nos “dedicarmos” ao Mundial, ao cantar a vitória antes da hora, ao acreditar nela sem o costumeiro pessimismo/realismo/cornetagem tão característicos dos nossos torcedores.

É por isso e mais do que nunca que devemos olhar o Mundial de Clubes como uma experiência. Ensinamos esse ano pelo menos mais três continentes a força da nossa torcida. Vencemos um dos torneios continentais mais competitivos. Disputamos e jogamos um bom futebol na maior parte do ano.Tivemos ao nosso lado aquele que eu considero jogador mais habilidoso que eu já vi jogar: Ronaldinho Gaúcho. Como não se emocionar com os jogadores do Raja pedindo a camisa, as chuteiras, um abraço, do R10? Como achar que é algo menor que um Deus do Futebol quando as outras torcidas reverenciam suas cobranças perfeitas de falta? Não, não foi uma vergonha. Foi de longe o ano mais glorioso que eu vi do GALO. E no ano que vem, #EuAcredito de novo. Sempre.

Precisamos entender a participação no Mundial não com a arrogância de um terceiro lugar no mundo. Não podemos nos enganar, isso não representa NADA. No futebol todo ranking se dissolve. Não há colocações. Existem jogos e isso é o que realmente importa. Onde times inferiores tecnicamente podem vencer times muito superiores em qualidade. Não vamos nos enganar, é claro que existem times melhores, mais técnicos, com mais estrutura. Mas em 2013, no continente Americano e sobretudo no Brasil, tivemos a certeza de que  GALO foi o time que apresentou o melhor futebol. A superioridade vista desde a Libertadores, as jogadas ensaiadas, o jogo aéreo, a genialidade de Ronaldinho, as arrancadas do Tardelli. Nada, nenhuma atuação ruim pode apagar isso. Nem a vinda do Paulo Autuori (que só de ter o nome mencionado sofreu grande rejeição).

Se o fim de 2013 não foi como esperávamos, o ano no geral foi inesquecível. Vamos pra 2014 com mais raça, “honrando o nome de Minas”, porque com o GALO é “uma vez até morrer”!

P.S: A rivalidade é uma coisa. Babaquice é outra. Claro que as piadinhas seriam inevitáveis, mas homofobia, machismo e idiotice não é o tipo de coisa que eu deixo passar. Foram quase 10 pessoas excluídas do meu perfil, só cruzeirenses e flamenguistas. Então vamos esclarecer algumas coisas pra esses torcedores.

Flamenguistas: eu não precisei do Wright pra ganhar uma Libertadores e consequentemente ir para o Mundial. Então,se coloquem no seu lugar.

Cruzeirenses: vocês só foram direto para a final porque o formato era diferente. Eu ainda me pergunto qual o interesse do cruzeirense na desonestidade intelectual e histórica ou se é só porque eles não costumam mesmo saber sobre o próprio time. Porque como disse o Fred Kong, ser vice duas vezes em um torneio de dois times não é vantagem alguma.

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