Quantos anos tem o Atleticano?

Para ler ouvindoː Hino do Clube Atlético Mineiro – Vicente Motta

O documento de identificação (o original aceito em território nacional, não o do Clube) teima em dizer que nasci no dia 26 de agosto de 1991. Bobagem. Nasci há 106 anos, no dia 25 de março de 1908.  Nasci no coreto do parque, em meio aos meninos. Mas como pode? Posso porque sou Atleticana e a minha existência só tem sentido no GALO.

Para o Atleticano e a Atleticana a história começou há pouco mais de um século porque só os últimos 106 anos é que nos reconhecemos. Vão nos chamar de fanáticos, de loucos, de chatos, desses que soltam o grito de “GAAAAALOOOO!” cada vez que um copo quebra no buteco ou estoura um foguete. Mas a explicação está no reconhecimento. Na identidade. Em se perceber Atleticano e reconhecer no outro um irmão que compartilha a mesma paixão.

"Time e torcida estavam juntos naquele abraço doído e doido. Como tantas vezes o atleticano esteve junto com o time. Qualquer time. Nada é mais atleticano que aquilo: um time que se comportou como o torcedor. Solidário na dor, irmão no gol. O atleticano é assim: tem a coragem do galo, mas não a crista. Luta e vibra com raça e amor. Mas não se acha o dono do terreiro. Sabe que precisa brigar contra quase tudo e contra quase todos. Até contra o vento, na célebre imagem de Roberto Drummond. Aquela que fala da camisa preta e branca pendurada num varal durante uma tempestade. Para o escritor atleticano, ou, melhor, para o atleticano escritor, o torcedor do Atlético sopraria e torceria contra o vento durante a tormenta." (Mauro Beting sobre o inacreditável vice do brasileiro de 1977 que também poderia ser sobre o não menos inacreditável título da Libertadores de 2013) Foto: retirei do Facebook do Zeca Espora

“Time e torcida estavam juntos naquele abraço doído e doido.
Como tantas vezes o atleticano esteve junto com o time. Qualquer time.
Nada é mais atleticano que aquilo: um time que se comportou como o torcedor.
Solidário na dor, irmão no gol.
O atleticano é assim: tem a coragem do galo, mas não a crista.
Luta e vibra com raça e amor. Mas não se acha o dono do terreiro.
Sabe que precisa brigar contra quase tudo e contra quase todos. Até contra o vento, na célebre imagem de Roberto Drummond.
Aquela que fala da camisa preta e branca pendurada num varal durante uma tempestade. Para o escritor atleticano, ou, melhor, para o atleticano escritor, o torcedor do Atlético sopraria e torceria contra o vento durante a tormenta.” (Mauro Beting sobre o inacreditável vice do brasileiro de 1977 que também poderia ser sobre o não menos inacreditável título da Libertadores de 2013)
Foto: retirei do Facebook do Zeca Espora

Mas por que nascemos há 106 anos? Por que contamos assim a nossa identIDADE? Acaso nascemos predestinados? Ora, o futebol tem razões que a própria razão desconhece. Não é hoje o momento de teorizar a respeito da sociologia no futebol. Não cabe a mim fazê-lo e eu jamais tive tal pretensão. Hoje, no dia do GALO e do Atleticano, assim como em todos os outros, só cabe a nós amar o GALO acima de todas as coisas. Porque dele se extrai o único grito capaz de acalmar, o som do hino que nos arrepia, as cores que pintam a nossa pele e o sentimento que carregamos no coração. Se é verdade que desconhecemos a razão também é verdade que reconhecemos no Clube Atlético Mineiro a promessa, talvez a única possível promessa de amor eternoː “Uma vez até morrer!”

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