Como vai proibir quando o GALO insistir em cantar?

O futebol como expressão popular tem sido há muito uma importante ferramenta de luta e transformação. Seja pela disputa de ideias, espaço ou simples manifestação, o esporte que já parou guerras, resistiu à ditadura e empunhou faixas pela anistia hoje sofre com a perseguição do “futebol moderno”.
A criminalização das torcidas e da nossa maneira própria de torcer com a proibição de bandeiras e sinalizadores, por exemplo, bem como a “arenização” dos estádios mudou o perfil do público. Quem ainda teima, no entanto, precisa lidar com desmandos que estão além das quatro linhas.

GALO x Ponte

Foto: Marcelo Paulo


Hoje, mais uma vez, policiais tentaram tomar a faixa contra a Rede Globo estendida durante o jogo GALO x Ponte Preta e adesivos escrito “Fora Temer Golpista” usado por alguns torcedores. Sob o pretexto de que isso “incita a violência” e o mais absurdo que “é a Globo que banca tudo”, responsáveis pelo estádio que ironicamente é chamado de Independência e a polícia golpista de Minas tentaram obstruir um dos direitos fundamentais previstos na nossa Constituição que é o direito à livre manifestação. Estes, como e com a autoridade que lhes foi concedida, demonstram desconhecer ou mesmo ignorar que nenhuma norma pública ou privada está acima dos direitos constitucionais. Se submetem a interesses escusos do setor privado e de determinados grupos políticos e evidenciam ainda mais o caráter golpista e autoritário que se abateu sobre a democracia brasileira.
Apesar de tudo, continuamos dando o nosso recado: fora golpistas, lobbystas da bola, polícias políticas e dirigentes omissos.

O futebol é livre e o povo também!

O Futebol como metáfora

Depois de um ano da Copa do Brasil, o comandante do épico título nacional se despede melancolicamente e com lágrimas nos olhos. Não se trata de defender ou não a saída do Levir, mas é preciso um pouco de gratidão para reconhecer algumas coisas.

HIROKI WATANABE/GETTY IMAGES

HIROKI WATANABE/GETTY IMAGES

Vão dizer que ele não é responsável por nada, que é louco, que seu esquema Kamikaze nos levou à…Libertadores pelo quarto ano seguido (e 2º lugar se tudo correr bem nos próximos jogos). Mas não se esqueçam que para além dos números, o futebol é a metáfora mais bonita do mundo.

Entre todas essas metáforas, sobre a vida, a existência e tudo de mais profundo que pudermos pensar, gosto de acreditar que o futebol é como o amor: a gente sabe que não pode vencer sempre, mas continua torcendo.

Obrigada, Levir.

Pelos 4×0 no primeiro jogo da final do Mineiro de 2007 (os gols narrados pelo Willy Gonser ainda são meu toque de celular!)
Pelas entrevistas descontraídas.
Pela Copa do Brasil.
Pelas vitórias inacreditáveis em cima dos rivais históricos.
Pela final histórica derrotando o maior rival estadual.
Pela confiança nos seus comandados.
Pela ligação bonita com a Massa.
Por tudo (exceto pelo Carlos).

Você pagou com traição

O GALO perdeu o campeonato naquela derrota para o Grêmio em casa. Não apenas porque o tricolor gaúcho foi infinitamente superior em campo, mas porque a Massa se apequenou. Não estou falando do público, o Mineirão estava lotado, lindo, mas o que se viu foi um espetáculo de arrogância. Em minha vida de Atleticana, cultivei diversas superstições. Uma delas é não arriscar placar, sempre acho que dá azar. Mas lá estavam os torcedores acreditando não na mística da própria garganta, mas no placar elástico, nas gracinhas para as câmeras de TV, no sinal de “cortar a garganta” como que liquidando o adversário que sabíamos ser duro. Não temer a luta é corajoso, mas a soberba derruba mais que qualquer catimba gaúcha.

Os erros de arbitragem aconteceram, os erros do próprio time – jogadores, técnico e diretoria – e a eficiência do time do Tite evidentemente são as explicações possíveis para os que acreditam que o futebol só acontece dentro das quatro linhas. Para nós, Atleticanos e Atleticanas, acostumados ao impossível, somente o extraordinário explica um final tão melancólico. Melancólico não porque o GALO não merecesse ou devesse se envergonhar, mas principalmente porque a maior parte do que o GALO é não aprendeu a ganhar. Ou aprendeu rápido demais e se acostumou com isso.

Mal acabou o jogo contra o São Paulo e já tinha gente pedindo banco para o Victor. O melhor lateral do Brasil por 2 anos consecutivos agora é o pior jogador do mundo. Luan passou de xodó da torcida para alguém totalmente questionável. É assim que pensam os ingratos, os que não amam, mas se apaixonam momentaneamente pelas vitórias que não tivemos nos últimos 40 anos. É claro que eu quero reforços, mais empenho e obviamente que não estou dizendo que a culpa é da torcida. Mas também não estou dizendo que é de apenas um ou outro. Este texto é antes um apelo e não um julgamento.

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Imagem: divulgação

Ninguém está aqui para dizer que é mais torcedor que ninguém, mas quando a própria torcida perde a fé, não há futebol que resista. A corneta é parte do jogo, diverte, acalma, liberta. Mas a pretensão destrói, magoa. Já contei a história de quando comecei a torcer pro GALO, em uma derrota para o América-MG e tenho muito orgulho dela porque me prova algo muito valioso: o GALO formou meu caráter. Foi graças ao sentimento de irmandade, à paixão e – por que não? – às derrotas, que eu sou o que sou e que acredito, grande parte desta torcida é o que é. Doidos, ensandecidos gritando quando o resto do mundo se cala. Isto é a Massa do GALO. É amor, não é simpatia. É, como o povo mineiro, desconfiado, mas não hesita em amar. Come quieto, é humilde, mas não é bobo. O alvinegro carrega sua origem no nome e não é à toa. Carrega em si a identidade e o orgulho, mas sabe que não se vence jogo antes de entrar em campo e faz por onde. Grita, apoia. Depois da maior conquista da nossa história vi a torcida vaiar o time como sequer me lembrava. E olha que motivo não faltou. De corrupção a times sem raça, passando por goleadas para o rival azul, foi preciso uma vitória gloriosa pra despertar a arrogância que só se conhecia lá no Barro Preto.

Doi reconhecer que não somos mais os mesmos, mas é preciso fazê-lo para recuperar o maior patrimônio do Clube Atlético Mineiro. Doi porque a gente se confunde com o time desde o hino: nós somos DELE e ele é nosso. Nós somos o GALO e jogamos juntos, com muita raça e amor. É como devemos jogar, cantar, na terceira pessoa do plural. Muitas vezes ouvi que a gente ama mais a torcida que o próprio time e minha explicação sempre foi essa: é porque somos inseparáveis, seja o momento de glória ou dor.

Por isso é que eu peço: se abracem, gritem, não tenham vergonha de acreditar. É disso que o GALO precisa. Não importa os títulos, porque eles vem cedo ou tarde. Um clube resiste sem títulos, mas não existe sem torcida. Sejamos uma torcida ainda maior que o pé do Victor no chute de Riascos, na cabeçada de Leo Silva, na vitória épica sobre os rivais históricos, implacávelcomo um GALO e vingador como pode ser apenas o maior time de Minas Gerais.

Quando os números mentem

Esporte popular, o futebol é cercado de números e mitos. Algumas estatísticas são divertidas e um pouco bizarras, outras só servem à história e à curiosidade, mas pouco interferem em uma partida. Aliás, quem gosta e acompanha futebol sabe que nem mesmo os números são muito confiáveis quanto se trata de bola rolando. Quantas vezes não vimos um time com mais posse de bola ser derrotado? Ou assistimos incrédulos o time que só chutou a gol uma vez e conseguiu sair com a vitória? A probabilidade pode ser improvável às vezes.

Não foi a primeira vez que ouvi justificarem a superioridade de um time por causa do “histórico”. Não faz muito tempo e lembro de ouvir são-paulinos dizendo que eles tinham experiência em competição internacional e por isso nos eliminariam nas oitavas da Libertadores do ano passado. Mas “quando tá valendo, tá valendo, né”? E o cavalo paraguaio venceu a competição continental pela primeira vez. A história e os números nos diziam que o GALO nunca tinha eliminado o Corinthians em duelos “mata-mata” (ou pelo menos foi isso que li em algum lugar). Infelizmente a história não cobra escanteio pelo lado esquerdo direto pro EdCarlos escorar pro gol, então o Dátolo teve que mostrar como se escreve a história.

Em todos esses anos, duas imagens de jogos entre GALO e Corinthians me marcaram profundamente. A primeira é do segundo gol marcado pelo Guilherme na goleada por 4×0 sobre o Corinthians em 31 de outubro de 1999. Depois de dar um chapéu no Dida, Guilherme cabeceia pra dentro do gol numa belíssima jogada. A outra imagem que não me sai da cabeça é a do Belletti encostado no túnel do vestiário depois de ser expulso no último jogo da final do Campeonato Brasileiro de 1999 faltando poucos minutos para o fim do jogo. Felizmente depois de ontem a imagem que eu nunca mais esquecerei de um GALO x Corinthians é essa:

O que eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta…

Tento lembrar a última vez que usei biquíni. Na verdade, a penúltima vez. A última foi há alguns dias, quando fui à praia com meu namorado. Ele gosta de tirar fotos da gente, de mim. Eu não posso esquecer o quanto me senti amada quando ele me disse: “é incrível olhar a mulher que eu amo, usando um biquíni do time que eu amo.” Eu usava um biquíni do GALO que tinha comprado assim que vim morar no Espírito Santo e que coloquei poucas vezes e nunca tive coragem de usar de verdade. Mesmo no clube que eu frequentava na minha cidade, no interior de MG, eu entrei poucas vezes numa piscina depois dos 10 anos de idade. Me sinto um pouco envergonhada de dizer isso, ainda mais agora que me reconheço feminista e busco cada vez mais desconstruir essas neuras impostas às mulheres pelo padrão de beleza vigente.

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Negahamburguer ❤

Minha mãe sempre foi uma mulher dessas que a gente pode chamar de “poderosa”. Ela é autêntica, tem uma autoestima muito legal e me ensinou muito sobre não se importar com a opinião das pessoas se o que você tá fazendo não é errado e te faz bem. Ainda assim a adolescência não foi o melhor período do mundo. Eu tinha passado de “garotinha fofa” a “gordinha” e ouvia os tios e tias dizendo que eu tinha um rosto bonito. Como se tivesse alguma coisa de errado com meu corpo. Comecei a querer emagrecer, mesmo gostando tanto de pipoca e chocolate e não tendo nenhum tipo de problema de saúde. Eu só tinha 11 anos quando comecei a fazer todo tipo de coisa maluca. Minha mãe acabou descobrindo, mas até aí eu já tinha desmaiado algumas vezes, forçado o vômito e tomado laxantes.

Quando eu consegui me encontrar em outras formas, nas minhas formas, tive um relacionamento destrutivo com um cara que conseguia me beijar e no momento seguinte dizer que eu tinha engordado ou estava com mais celulite. Passei a ter vergonha do meu corpo, vergonha dele, de ficar com ele. Me sentia culpada por estar daquele jeito e por deixar que ele me fizesse sentir mal. Mas eu o amava e achava que ele também me amava. Acabava me sujeitando àquele tipo de coisa porque não queria que acabasse. Acabou. Eu fiquei bem destruída, sobretudo porque ele me traiu. Hoje penso que ele já havia me traído antes, como quando me fazia sentir tão mal, quando fazia piadas sobre meu peso ou até me falava pra não comer muito quando saíamos juntos. Aliás, engraçada essa coisa de traição, né? Hoje eu me sinto menos traída porque ele ficou com outra pessoa e mais porque acreditava que fosse um companheiro e ainda assim foi tão machista e babaca. Não desejo mal algum a ele ou qualquer cara que faz esse tipo de coisa. Só desejo que eles mudem e não tentem destruir a autoestima de suas companheiras e que elas sejam tão fortes que não permitam esse tipo de coisa.

Negahamburguer <3 facebook.com/olanegahamburguer

Negahamburguer e o desenho que me inspirou a escrever esse texto

Por que eu estou contando isso tudo? De verdade, não me orgulho tanto das minhas inseguranças. E eu poderia até dizer que me sentiria melhor e mais forte se tivesse usado um biquíni sem que meu atual namorado falasse que estava tudo bem, que era pra eu deixar de besteira. Mas acho que foi um gesto de amor e gestos de amor sempre valem a pena ser contados.

Sem essa ladainha de que precisamos de caras que nos “valorizem” ou que precisamos nos amar. É difícil falar em amor próprio quando tudo à nossa volta diz que não estamos bem. Magra demais, gorda demais, alta demais, baixa demais…inventam todo tipo de defeito pra fazer a gente sofrer e gastar. Então, apesar de esse texto ser mais escrito com o coração do que com qualquer dado sobre a indústria de beleza, é só uma forma de dizer que “hoje eu me amo muito mais, porque me entendo muito mais também”. Eu quero ser cada vez mais de verdade e isso não quer dizer me acomodar, quer dizer que eu quero me sentir feliz. Aprendi a não julgar a aparência das mulheres, a reconhecer belezas diferentes e com isso eu espero poder dizer às meninas e mulheres que elas não precisam ter suas autoestimas destruídas para recomeçarem. Embora tenha sido importante pra minha “reconstrução”, eu desejo de verdade que a sororidade reine entre a gente.

Essa é a história da minha foto de biquíni mais de uma década depois de usar biquíni pela última vez. Ou se vocês preferirem, esta é a história de uma mulher que aprendeu que o amor não tem nada a ver com culpa. E que contar histórias é uma forma de desnudar nossa alma, mas pra quem já deixou de lado o medo de ir à praia de biquíni, deixar a alma nua não é tão difícil =)

Não deixem de conferir o trabalho lindo e inspirador da Negahambuguer

O machismo virou regra*

O GALO venceu o clássico de virada no último dia 10 de maio, mas ao contrário dos cruzeirenses na final do campeonato mineiro de 2014, eu não vou agradecer à arbitragem pelos erros que beneficiaram o meu time.
Acho o Héber Roberto Lopes um árbitro medíocre, mas não é sobre ele que pretendo falar, mas sobre a auxiliar de arbitragem Fernanda Colombo Uliana.
A ”bandeirinha gata” como algumas pessoas dizem, tem nome, errou feio no impedimento do jogador do Cruzeiro no fim do jogo, entre outros erros na partida e foi criticada recentemente pela atuação no jogo São Paulo x CRB na Copa do Brasil. Não é o caso de “defender” (como se ela não pudesse fazer isso sozinha) só porque é uma mulher, mas porque a maioria dos comentários e ofensas direcionados à Fernanda são machistas, isto é, ”APENAS” pelo fato de ela ser mulher. Assim como o impedimento, o machismo virou uma regra do futebol. E como diz o Arnaldo César Coelho, “a regra é clara”: futebol não é lugar de mulher. Pelo menos é como parecem pensar algumas pessoas.

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Desenhando pra quem ainda não entendeu.

”VAI POSAR PRA PLAYBOY” – mulher só serve pra aparecer pelada.
”É GOSTOSA, MAS É BURRA” – sexualização da imagem feminina + mulher não pode ser bonita e inteligente + mulher não entende de futebol.
”AHA, UHU! A GOSTOSA É NOSSA!” – (gritado pela torcida do GALO depois do erro bizarro ao marcar um impedimento cruzeirense que não existiu) – objetificação que além do discurso implícito de posse, não contribui em nada para o futebol como jogo e é um atestado de apequenamento desnecessário ao comemorar um erro de arbitragem que beneficiou o próprio time.

-“Ah, mas você não tem senso de humor? É só provocação!”

Será mesmo? Como os árbitros são xingados?

Filho da puta! (opa, Feliz Dia das Mães, seu juiz!)
Corno! (sim, a culpa continua sendo das mulheres…)
Viado! (claro que não poderia faltar a homofobia)

A atuação da bandeirinha Fernanda Colombo foi realmente ruim, mas critica-la por ser mulher além de desonesto, é de uma ignorância absurda. Afirmar que ela chegou a atuar em um jogo pela principal série do campeonato brasileiro porque é ”gostosa” é como afirmar que a única coisa que mulheres podem fazer é cumprir uma função ”decorativa”. É dizer que mulheres não pensam, não entendem de futebol, não tem a menor capacidade para atuar no meio futebolístico. É naturalizar a opressão.
O futebol, como meio ainda majoritariamente ocupado por homens, sempre teve erros absurdos de bandeirinhas masculinos, mas eu não me lembro de ninguém mandando os caras lavarem louça ou dizendo que eles dormiram com alguém pra estar onde estão.

A repercussão do erro da bandeirinha Fernanda Colombo não poderia ser pior. O diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos disse que ”se é bonitinha, que vá posar pra playboy!”, como se o machismo precisasse ser institucionalizado pela diretoria de algum clube. Mattos só repetiu o senso comum, mas sua irresponsabilidade custou muito caro às mulheres em um meio já tão hostil como o futebol. Fernanda Colombo, ao contrário de tantos auxiliares homens que erraram em lances decisivos, clássicos, finais de campeonato, vai passar por uma ”reciclagem”, isto é, terá que estudar mais para ocupar o mesmo posto que um homem, que também erra (e sempre errou) ocupa. O problema não é que ela tenha que se dedicar a estudar mais as regras ou treinar seu posicionamento em campo, mas que ela tenha que fazer por ser mulher. Por estar em um espaço onde não a aceitam. Porque o problema não é ser bonita. Se fosse feia isso também seria ressaltado como justificativa pra algum erro. O problema, repito, é ser mulher.

Sobre a declaração do diretor cruzeirense, o comentarista Bruno Formiga também deu seu recado (abaixo).

Agora eu pergunto a vocês: de todos os espaços destinados ao esporte nessa nossa ”Pátria de chuteiras”, por que nem sobre a condição da mulher no futebol como o caso de machismo a que foi submetida Fernanda Colombo, temos mulheres escrevendo, comentando em noticiários esportivos, entre outros meios?

Contra o racismo, o machismo e a homofobia e por mais mulheres falando, escrevendo, comentando, apitando e jogando futebol!

Abaixo, outros textos sobre o caso e que valem a leitura:

O impedimento da mulher – Breiller Pires (Placar)

A mulher é a aberração do mundo do futebol – Fábio Chiorino (Esporte Fino/ Carta Capital)

Racismo não pode. Ok. Mas e o machismo? – Bruno Winckler (Esporte Fino/ Carta Capital)

Lugar de mulher “bonitinha” é na Playboy – Xico Sá (Blog Folha/UOL)

*O machismo no futebol não é algo recente, mas dadas as proporções e as declarações de dirigentes, meios de comunicação e comentaristas que questionaram a atuação da bandeirinha Fernanda Colombo usando sua aparência como justificativa, o preconceito parece ter sido institucionalizado. Cabe a nós, mulheres e protagonistas dessa luta, mandarmos o machismo pra escanteio!

O que a demissão do jornalista Lélio Gustavo significa pra imprensa esportiva nacional?

Depois que o Paulo Morsa, comentarista parcial e irresponsável chamou o GALO (nas oitavas de final da Libertadores 2013) de ”cavalo paraguaio”, citando nominalmente jogadores que segundo ele seriam meros perdedores e os integrantes do programa ”Jogo Aberto” se limitarem a rir da situação, Lélio também fez ofensas ao Paulo Morsa, Denílson (ex-jogador e comentarista do programa) e à apresentadora Renata Fan. Em relação à apresentadora inclusive, ele usou termos como ”galinhona” (não sei qual era o objetivo, mas nós sabemos bem a conotação desse termo quando direcionado às mulheres, né?). Isso sem contar a quantidade de termos chulos e machistas disparados aos integrantes do programa da Band, que eu me recuso a citar aqui.

Agora Lélio Gustavo foi ameaçado de processo por ofender o Vitória da Bahia e o jogador revelado no Clube (atualmente no Atlético Mineiro) Neto Berola. A polêmica, que começou depois de Berola reclamar em seu perfil no Instagram da ”perseguição” do comentarista esportivo Bob Faria (Globo Minas) rendeu e levou o jornalista Lélio a defender o colega de profissão ofendendo o jogador e o referido clube que o revelou. Hoje, segundo o jornal O Tempo, foi confirmada a demissão do Lélio Gustavo da Rádio Itatiaia, onde trabalhava há mais de 20 anos.

Ainda em seu post no instagram, Berola disse: ”só porque eu não te pago para falar bem de mim…”. Isso em um momento em que outro clube baiano, o Esporte Clube Bahia, divulga uma lista de jornalistas que receberam para se posicionarem publicamente contra a intervenção que tirou Marcelo Guimarães da presidência e prometeu tornar a gestão mais transparente e democrática. O caso que já é conhecido como ”Jabá do Bahia” preocupa não só torcedores e amantes do futebol, mas todo um povo que vê agremiações esportivas serem usadas num jogo político e obscuro.

Imagem: Jornal O Tempo

Imagem: Jornal O Tempo


Em tempos de redes e mídias sociais, os jornalistas esportivos ainda não aprenderam a lidar com seu público. Bloqueiam comentários, ignoram questionamentos e muitas vezes sequer apuram as notícias. Já não dá pra apenas não levar a sério a imprensa esportiva nacional. Obviamente também não se trata de legitimar esse tipo de comportamento dos jogadores, muito menos de generalizar o trabalho dos jornalistas esportivos brasileiros, mas é necessário cobrar que sejam mais responsáveis com seu público, com os atletas e com a profissionalização do esporte no Brasil. É inadmissível o amadorismo de alguns jornalistas e comentaristas. Mais transparência para o esporte para garantir a popularização do mesmo e o direito pleno ao lazer e à cultura!

*Não sou das mais otimistas a achar que a demissão do Lélio é uma grande vitória de um jornalismo esportivo NO MÍNIMO mais responsável, afinal ele só foi demitido agora, depois de ofender homens (como o presidente do Vitória) que querendo ou não, detém certo poder e o ameaçaram de processo. Não vi esse tumulto todo quando ele ofendeu de maneira machista e grosseira a Renata Fan, por exemplo. No entanto fica a reflexão sobre a nossa imprensa esportiva e principalmente sobre como devemos nos manter críticos em relação a ela.